The Girl with the Umbrella


"...and she lifted her smile and laughed, and rose her umbrella so full of flowers and little birds and lines. Now was her turn to say a few inspiring words to the crowd that had come."

"...but as she turned around and let her umbrella fall from her grasp, the realization: nobody was there."

Visão de Solidão


Eu estava no meu quarto, num outro dia, e eu estava lendo uma história que falava sobre a forma que as coisas sempre pareciam erradas quando na verdade eram a realidade. A realidade para mim sempre pareceu-se severa e insípida, algo como o gosto da água nossa de cada dia. Mas mesmo assim eu estava lendo aquela história particular, como se eu precisasse daquilo. Como se eu, mais uma vez, precisasse justificar o fato de negar A Máscara.

Enfim, ao chegar ao final da história, eu tive uma epifânia. Eu tive uma visão, uma visão sobre estar sozinho. E eu me lembro que durante essa visão eu queria encontrar alguma pessoa, qualquer pessoa, pra ficar ao meu lado, porque aí eu não teria mais que estar sozinho. O sol estava nascendo, e o mundo ao meu redor estava comemorando alguma coisa, e eu estava numa praia, sentado na areia de calça e descalço. Todos ao meu redor estavam tão felizes, mas eu apenas encarava o sol nascer, naquele estado de 'estar sozinho'.

E eu me lembro de conseguir ouvir o sol rindo, mas rindo de mim, da minha situação, e de repente todos estavam rindo também. Eu não conseguia odiar ninguém, nem conseguia me levantar e fugir. Eu simplesmente me sentava lá, agarrando os meus joelhos enquanto o mundo ria de mim. E todas as visões que eu já tinha tido durante minha vida passavam pela minha cabeça, cada uma me lembrando os sinais que apenas eu poderia saber e interpretar.

Então eu abaixava a cabeça e fechava os olhos, mas quando eu abri eu percebi que não tinha ninguém ali. Os risos que eu ouvira, não eram do sol ou dos outros. Eram meus risos. Eu estava rindo ali, sozinho, encarando o nascer do sol.

Essa é a minha visão de solidão.

Ninguém


Ninguém pra ligar
Ninguém pra salvar quando caímos
Ninguém pra surpreender
Ninguém pra ser o melhor que ele pode ser
Ninguém pra se passar o tempo pertinente
Ninguém pra beijar apaixonadamente
Ninguém pra abraçá-lo quando triste ele está
Ninguém pra embaraçá-lo até com raiva ficar
Ninguém pra brincar e ninguém pra se conversar
Ninguém com quem o dia inteiro passar
Ninguém pra tentar fazê-lo rir
Ninguém pra abraçar e com cócegas seguir
Ninguém pra amar com todo seu coração
Ninguém pra ele... ninguém de fato

NeVeNeVe

Ele me olha depois de tanto tempo quieto. Eu podia jurar que vi fogo dentro daqueles olhos tão negros.

"Que cor você vê nos meus olhos?" ele sorri sugestivamente.

Mesmo sem querer, eu acabo confessando, "Castanho-escuro. Se bem que, dependendo da iluminação, eles parecem dourados às vezes."

Ele gargalha sarcasticamente, "Pois pra mim eles são cinza. Não tem cor nenhuma."

"Por que você diz essas coisas?" eu realmente só queria entender.

Ele me ignora, e olha para algum outro lugar. "Você sabe por que a neve é branca?"

"Como é que eu poderia saber isso?"

A expressão dele se perde num vazio completo, e pela primeira vez eu percebo que os olhos dele de fato se tornaram cinza. Isso me espanta de início, enquanto ele continua a explicar.

"A neve é branca porque já esqueceu que cor ela originalmente tinha."

Ele baixa os olhos, sem mudar de posição. Agora ele parecia-se muito com uma estátua congelada no tempo.

"Pois eu acho que a neve branca não poderia ser mais bonita."

Ele me olha de novo, e dessa vez, os olhos dele voltam a ser castanhos-escuros. E ele sorri.

"Idiota."
.
.
.

Diamante

O Eu que não acredita no amor
O Eu que vai fazer você chorar
O Eu que odeia Deus e o mundo
O Eu que não tem nenhum lar

O Eu que come carne humana
O Eu que tortura os bons pastores
O Eu que mutila o Espírito Santo
O Eu que estupra os estupradores

O Eu que usa e depois joga fora
O Eu que pratica a própria prostituição
O Eu que se enforca cada vez mais e mais
O Eu que detesta até a própria escuridão

O Eu que faz de tudo para ter o que quer
O Eu que não ama nem a si mesmo
O Eu que não deseja nada além de querer
O Eu que acredita que a morte é a perfeição dos corpos

De todos esses Eus, eu estou ali, saiba disso
O eu que sempre esteve ali, apesar de tudo
Sou um pecador, afinal
Que espécie de salvação eu posso esperar ter no final?

A Verdade

Eu sei que esse sentimento não vai durar por muito tempo
Uma sensação tão desprovida de tantas coisas, sabe
Assim como sempre foi, ele desaparecerá muito em breve
Mas meu coração se apega demais à ele, como vento
O que corre pelas atmosferas mais altas cobertas de neve

Vontades, desejos e anseios, qualquer coisa poderia me trair
O abismo onde aquela pessoa desapareceu ainda permanece ali
Cheio de tanta neve e escuridão, e quanto mais frio eu sentir
Eu apenas vou caindo mais e mais naquele tão sombrio jardim

Mais anos se passam, mais estações vem e vão, mas você
Insistentemente se mantem o mesmo, como um sol para a chuva
Seu coração nunca mais será o meu lar, precisamos desaparecer

Amanhã nunca mais chegará para nós dois, mas há dúvida
Wash your pain, você me diz entre soluços, mais uma vez
Amanhã não existe mais para nós dois, nunca mais nunca

The End of a Dream


I remember why I know this place

And I am still lost in this island of dreams
No, not lost, locked in its builldings
In its beaches and in its vulcan
Locked forever in this dream... with you

And I recall all the words
We shared so many times
Not only words, also dreams
I was always in synch with everything... and with you

And this island feels just like home to me
I cannot quite explain the reason precisely
Even to this day, I still wonder
If we never met, would I still be ever... with you?

But I will not stay here for long
Althought there is nothing wrong
I have to find my way, for you and for me
Even if that means I will be... without you